Essa pizza, que você está pensando em saborear daqui a pouco, como todo prato antigo, tem sua origem difícil de ser especificada, ainda mais se pensarmos que ela pode até ser considerada como uma evolução do pão.

A historia da pizza se confunde com a da humanidade e a do pão. Pode-se dizer que a pizza começa a nascer com os primórdios da sociedade humana, na chamada revolução neolítica, quando o homem deixa de ser caçador para cultivar os cereais. Nessa época, nossos ancestrais já dominavam o fogo e a cerâmica, premissas básicas para o aparecimento de uma cozinha. Já que os cereais eram duros, veio a idéia de moê-los e, em seguida, a de misturá-los com água e assar essa papa, um tipo primitivo de polenta, em pedras aquecidas. O resultado era mais digestivo, durava bom tempo e foi provavelmente a maior expressão da gastronomia neolítica. Nascia o antepassado do pão e, conseqüentemente, da pizza, e ele podia ser feito com vários cereais.


Há mais de 6 mil anos, graças ao talento dos egípcios, responsáveis pela descoberta da massa de trigo e do forno, estes e os hebreus já consumiam uma camada de massa fina assada conhecida como “pão de Abrahão, muito parecido com o pão sírio atual, que também era chamado de “piscea”, presume-se que daí vem o nome pizza. Já nessa época começou-se a enriquecer esses pães com diversos ingredientes, como azeitonas, ervas aromáticas e outros.


Quase 3 mil anos depois, segundo anotações do poeta Virgílio, os gregos e romanos faziam pães semelhantes. Ele mesmo registrou a receita do “moretum”, uma massa não fermentada, assada, recheada com vinagre e azeite, coberta com fatias de alho e cebola crua. Se essa mesma massa fosse fermentada, Virgílio teria então a fórmula básica de uma pizza simples.


Na Idade Média, em Nápoles, acreditava-se em duas coisas: no fim do mundo, que seria no ano 1000 DC, e nos valores nutritivos do “lagano”, massa de espessura muito fina, assada e cortada em tiras, que ao final era cozida com verduras. Embora pudesse tratar-se do antecessor do talharim, parece que as variações desse “lagano” originaram o conceito de “picea”, e não muito tempo depois apareceria, pela primeira vez, na romântica Nápoles, a palavra pizza. Na verdade, no Sul da Itália até hoje a idéia de pizza abrange também as massas fritas e recheadas.


A verdadeira personalidade da pizza, porém, só surgiu depois que a Europa conheceu o tomate, levado para lá pelos Americanos, e inventou suas ricas aplicações na culinária. Finalmente, no século XVII, Nápoles começa a produzir sua pizza, atiçando a imaginação e a criatividade dos padeiros que enriqueciam o prato usando azeite, alho, mussarela, anchova e os pequenos peixes cicinielli. Alguns "artistas" da culinária começavam até mesmo a dobrar suas massas recheadas, inventando assim e célebre calzone.


Entretanto, a propagação dessa comida aconteceu durante a segunda metade do século XIX, em 1889, com dom Raffaele Espósito, um padeiro napolitano que servia o rei Umberto I e a rainha Margherita e, para agradar e inovar o cardápio, resolveu adicionar à massa mussarela, tomate e manjericão, ingredientes que reproduziam as cores da bandeira italiana. E, em homenagem à rainha, ele batizou sua receita com o nome de “pizza Margherita”.


A fama de Nápoles correu o mundo e, assim, surgiu a primeira pizzaria: a Port’Alba. Por muito tempo, a pizza foi vendida em padarias e barracas de rua e consumida no café da manhã. De Nápoles para o resto do mundo foi “um pulo”, pois os imigrantes a levaram para vários países, como Estados Unidos e Brasil. Aqui a primeira pizzaria foi inaugurada em 1910, no bairro do Brás em São Paulo.